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sexta-feira, 19 de junho de 2020

A saudade é um sentimento bem vindo...

 

 Pois confirma o valor de quem foi 
ou é importante para nós, 
mas ao mesmo tempo é um sentimento doloroso,
 pois acusa a ausência e os ausentes sempre nos doem.

Martha Medeiros


2 anos sem você.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

O ponto G


(...)Ah, o ponto G, esse paraíso secreto 
que leva os homens a explorações minuciosas.
Tanto trabalho por nada.
Não temos um ponto G, mas dois,
um em cada lateral da cabeça, 
e não é preciso tirar nossa roupa
para nos deixar em êxtase.
Falem, rapazes. 
Digam tudo o que sentem por nós, 
assim, assim... assim.
Concordo com a autora de A casa dos espíritos:
o melhor afrodisíaco é a declaração de amor. 
Não aquelas mecânicas, faladas no piloto automático,
mas as verdadeiras, sentidas, 
aquelas que os homens imaginam 
que basta serem ditas com o olhar e com as mãos,
mas que fazemos questão de escutar, também com a voz.
“Como eu gosto de estar com você, como você é linda, 
esqueço do tempo ao seu lado, que horas são? Já? 
Que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor.” 
Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias
do seu último disco
e tenho certeza que não foi por causa de
“vou me embora, vou me embora, prenda minha...” 
e sim “por que você me deixa tão solto, 
por que você não cola em mim?”
As feministas mais ortodoxas deve estar bufando. 
Tanta coisa pra se exigir de um homem: 
mais espaço na política, mais ajuda em casa,
salários iguais e nada de gracinhas no escritório,
e vem essa daí clamar palavras! 
Pois essa daqui acha tão interessante
a ideia de igualdade entre os sexos 
que adoraria vê-los soltar o verbo como nós fazemos,
expressar os sentimentos sem medo de ser piegas,
afirmar e reafirmar diariamente 
como a gente é importante para eles 
e que saudades estavam do perfume do nosso cabelo.
Clichês em último grau, reconheço,
mas quem quer ser moderna nessa hora? 
Tudo o que se reivindica
é o desbloqueio emocional masculino.
Nossos hormônios saberão como agradecer.

Martha Medeiros

Enfim, praticamente pedimos perdão por existir.

Por que isso?


De novo, estamos inventando culpas que não temos.
Nossos sofrimentos psíquicos são criados por nós. 
Nossa martirização é falta de amizade conosco.
Querer estar no controle de tudo
é absolutamente estéril:
nossa compreensão do mundo é limitada
e as coisas acontecem à nossa revelia.
A troco de quê devemos nos penalizar por coisas 
sobre as quais não temos domínio absoluto?
 Que tenhamos, isso sim,
a responsabilidade social de viver com integridade, 
com amor e com a aceitação 
do que nos é possível absorver.

Martha Medeiros

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Estamos quites com nossa juventude...


Já gastamos as ilusões,
agora nos restou o melhor da vida: 
ela própria, simplesmente. 
A vida que temos na mão para consumo imediato.

Martha Medeiros

sábado, 23 de maio de 2020

Não gosto de me estender demais...

Fora da minha casa e fora da minha rotina.


Não gosto de nada que extrapole 
o tempo regulamentar do meu humor
e da minha capacidade de simpatia.

Martha Medeiros

quinta-feira, 21 de maio de 2020

A vida segue acontecendo nos detalhes...


Nos desvios, nas surpresas e nas alterações de rota 
que não são determinadas por você.

Martha Medeiros

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Tudo o que nos invadiu com intensidade...


Tudo o que foi realmente verdadeiro 
e vivenciado profundamente, não passa. Fica. 
Acomoda-se dentro da gente, e de vez em quando cutuca, 
se mexe, nos faz lembrar da sua existência.

Martha Medeiros

domingo, 17 de maio de 2020

O que revela sua verdadeira natureza...


São os comentários venenosos que costuma distribuir 
ou os elogios que faz sobre amigos e desconhecidos. 
São as fofocas que oculta
 para não menosprezar seus semelhantes
 ou que espalha por aí, 
acrescentando uma maldadezinha extra. 
Você é avaliado de forma mais precisa 
através da sua capacidade de enaltecer o positivo
 que há ao seu redor ou de propagar o negativismo 
que sobressai em tudo o que vê.

Você demonstra que é uma pessoa maior – ou menor 
– de acordo com sua necessidade de diminuir 
ou de valorizar aqueles que o rodeiam. 
É através das suas palavras amorosas 
ou das suas declarações injuriantes
 que os outros saberão exatamente quem é você 
– pouco importando o que você diga sobre si mesmo.

Martha Medeiros

sábado, 9 de maio de 2020

Só que não existe uma lei que obrigue você...


A ser do mesmo jeito que todos,
sejam lá que for todos.
Melhor se preocupar em ser você mesmo.

Martha Medeiros

Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como...

 

“eu jamais vou fazer isso” ou “nem morta eu faço aquilo”,
 limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção.
 Não é fácil libertar-se do manual de instruções
 que nos auto-impomos.
Às vezes, leva-se uma vida inteira,
 e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. 
Por sorte, minha ficha caiu há tempo.

Martha Medeiros

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Crônica As possibilidades perdidas.


Sofremos não porque envelhecemos, 
mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, 
impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos 
e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? 
A resposta é simples como um verso:
se iludindo menos e vivendo mais.

Martha Medeiros

...Daqui pra frente, o assunto mudou.


A vida do lado de fora das nossas janelas
 terá que ser repensada - e reescrita.

Martha Medeiros


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Crônica E se tivesse sido diferente?


Mas adianta fazer planos?
Seja qual for o caminho que optarmos seguir,
haverá altos e baixos. E isso é tudo.
Se fizermos uma auditoria em nossas vidas, 
em algum momento questionaremos:
'e se eu tivesse feito diferente?’. 
O diferente teria sido melhor e teria sido pior.
Então, o jeito é curtir nossas escolhas
e abandoná-las quando for preciso, 
mexer e remexer na nossa trajetória, 
alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, 
que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo.
Algumas vidas até podem ser tristes, 
outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto,
não existe vida errada.

Martha Medeiros

Crônica Gosto de gente.


Preciso de pessoas que me amem na riqueza,
na pobreza, na saúde e na doença. 
Que sejam amigas, sejam amores, sejam parceiras. 
Que deem valor ao que foi dito 
como se estivesse registrado e escrito.
Prefiro as que me doam intensidade, alegria 
e contribuam na insanidade de viver. 
Preciso de verdade não de fingimento.
O resto é excesso.
A outra parte eu dispenso.

Martha Medeiros

Povoar a solidão


A sua é de que tamanho? 
Difícil encontrar alguém que tenha uma solidão pequena, 
ajustada, do tipo baby look.
Geralmente, a solidão é larga, esgarçada,
como uma camiseta que poderia vestir 
outros corpos além do nosso.
E costuma ser com outros corpos que se tenta combatê-la,
mas combatê-la por quê?
Se nossa solidão pudesse ser visualizada, 
ela seria um vasto campo abandonado, 
um estádio de futebol numa segunda-feira de manhã.
Dói, mas tem poesia. 
Talvez seja por aí que devamos reavaliá-la:
no reconhecimento do que há de belo na sua amplitude.
A solidão não precisa ser aniquilada, 
ela só precisa de um sentido. 
Eu não saberia dizer que outra coisa
mais benéfica há para isso do que livros.
Uma biblioteca com mil volumes é um exército
que não combate a solidão, mas a ela se alia.
A solidão costuma ser tratada
como algo deslocado da realidade, 
como um tumor que invade um órgão vital.
Ah, se todos os tumores pudessem ser curados com amigos.
Uma pessoa que não fez amigos 
não teve pela sua vida nenhum respeito. 
Nossa solidão é nossa casa 
e necessita abrir horários de visita, hospedar,
convidar para o almoço, cozinhar com afeto,
revelar-se uma solidão anfitriã, 
que gosta de ouvir as histórias das solidões dos outros, 
já que todos possuem seus descampados.
A solidão não precisa se valer apenas do monólogo. 
Pode aprender a dialogar e deve exercitar isso 
também através da arte.
Há sempre uma conversa silenciosa entre o ator no palco
e o sujeito no escuro da platéia, 
entre o pintor em seu ateliê e o visitante do museu, 
entre o escritor e o seu leitor desconhecido.
Ah, os livros, de novo. 
De todos os que preenchem nossa solidão,
são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. 
Leia, e seu silêncio ganhará voz.
Às vezes, tratamos nosso isolamento com certa afetação. 
Acendemos um cigarro na penumbra da sala, 
botamos um disco dilacerante
e aguardamos pelas lágrimas. 
Já fizemos essa cena num final de domingo
- tem dia mais solitário? 
É comum que a gente entre na fantasia de que 
nossa solidão daria um filme noir, 
mas sem esquecer que ela continuará conosco
amanhã e depois de amanhã,
deixando de ser charmosa 
e nos acompanhando até o supermercado.
Suporte-a com bom humor ou com mau humor,
mas não a despreze.
Permita que sua solidão seja bem aproveitada,
que ela não seja inútil. 
Não a cultive como uma doença, 
e sim como uma circunstância. 
Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade,
estética, memória, inspiração, percepções.
Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada. 
Quem não sabe povoar sua solidão, 
também não saberá ficar sozinho
em meio a uma multidão, escreveu Baudelaire.
Ah, os livros, outra vez.

Martha Medeiros


domingo, 26 de abril de 2020

Estar triste é estar atento a si próprio...


 É estar um pouco cansado de certas repetições,
 é descobrir-se frágil num dia qualquer, 
sem uma razão aparente
 – as razões têm essa mania de serem discretas.

Martha Medeiros

sábado, 25 de abril de 2020

Quisera eu poder contar com sete vidas...

Para abraçar todos os jeitos de ser e de estar no mundo,
mas tendo uma vidinha só, 
faço as escolhas que melhor me identificam, 
sem deixar de aplaudir as minhas renúncias.


A todas as outras mulheres que não sou
– ou que não sou ainda – 
meu sorriso e uma piscadinha cúmplice.

Martha Medeiros

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Qualidade de vida.


As pessoas tem estado cansadas demais
para produzir seus próprios sentimentos. 
Assustadas demais para olhar para dentro.
Confusas demais para reconhecer seus medos e desejos. 
Passivas demais 
para transformar tudo o que sentem em ativos. 
Procuram ativos prontos invés de fabricá-los.
Qualidade não vem com facilidade,
não conquistamos com um estralar de dedos. 
Qualidade de vida, essa palavra difícil de conceituar, 
só se consegue fazendo as coisas com amor. 
Eu mesma não me suporto dizendo uma coisa tão piegas,
mas é que a pieguisse tem lá seu cabimento 
e as vezes exige nossa rendição. 
Não há qualidade sem tratamento, 
sem olho atento, sem uma bela intenção.
Qualidade é tudo o que a gente ordena sem precisar gritar,
é a maneira educada com que nós
nos relacionamentos com as pessoas.
É o cumprimento de nossas tarefas com responsabilidade. 
É o compromisso que estabelecemos com a gente mesmo
de fazer as coisas da maneira menos estabanada.
Qualidade é a verdade dos fatos, não é teatralizar a vida. 
É reconhecer-se humilde diante de nossas falhas, 
e tentar errar menos.
Qualidade é viver de acordo com nossas possibilidades,
administrar a vida com a humanidade de que dispomos, 
chorar de ódio sem sermos vulneráveis, 
mas pensar que melhor isso 
do que não termos sensibilidade alguma.
Qualidade é amor que se sustenta, 
é amizade que não é um blefe, 
é confiança que não é traída, 
é demonstrar o que se sente,
apertar a mão com firmeza, 
dizer não e sim com a mesma honestidade,
é inocência de uma fé generalizada
e uma crença na própria natureza.
Parece uma oração, eu sou quase agnóstica. Mas é isso. 
Qualidade é tudo que não se desmancha facilmente.

Martha Medeiros

terça-feira, 21 de abril de 2020

Um dos sintomas do amadurecimento...


É justamente o resgate da nossa jovialidade, 
só que não a jovialidade do corpo, 
que isso só se consegue até certo ponto,
 mas a jovialidade do espírito, tão mais prioritária.

Martha Medeiros

domingo, 19 de abril de 2020

Em vez de listar todos os prejuízos...

Causados por nossas escolhas equivocadas,
mais vale o que disse o filosófo Osho:
'você precisa aprender a gostar do que
está acontecendo. 



A imaturidade vive nos Poderia e Deveria. 
Nunca no É.'

Martha Medeiros