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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Por que nos sentimos mal (ou bem)...

Perto de algumas pessoas?


Sempre que nos aproximamos de alguém, 
a nossa leitura intuitiva da realidade 
vai infinitamente além do que o nosso cérebro 
processa racionalmente. 
Captamos não só o que nos é dito, mas também 
processamos informações visuais, e até cheiros, 
tendo a partir desses estímulos sensoriais,
as mais diversas reações emocionais. 
Somos influenciados pela nossa história pregressa
em todos os níveis: do fisiológico ao racional
(que é o último a compreender e interpretar a situação).

O contato com uma pessoa pode ativar reações de medo, 
como no caso de algo que já tenhamos 
vivenciado no passado possuir alguma característica 
que captamos involuntariamente no momento presente
(um cheiro, um modo de olhar, um vacilo ao falar).
Da mesma forma podemos sentir inveja, culpa ou repulsa
sem admitirmos isso para nós mesmos,
pois alguns sentimentos não são considerados 
nobres socialmente, ainda que todos nós 
sejamos suscetíveis a eles.
Logo, sempre será mais fácil atribuir ao outro
uma característica negativa, 
do que aceitá-la em nós mesmos. 
É comum que invejosos definam-se como invejados,
que pessoas que costumam ser injustas 
definam-se como muito injustiçadas 
ou mesmo que pessoas que têm dificuldade 
em ver o bem no outro atenham-se a descrições maldosas
acerca das características alheias.

É em decorrência de percepções de eventos anteriores, 
e que não conseguimos racionalizar, 
Quem já não ouviu aquela história de um conhecido 
que só namora pessoas que têm problemas com bebida,
de um primo que já foi traído várias vezes
– mesmo sem ninguém entender (nem ele) 
como consegue sempre escolher relacionamentos 
com as mesmas características negativas 
e que lhe são prejudiciais, e assim por diante.
Reagimos e fazemos escolhas baseadas em algo familiar
(não necessariamente bom) e que, muitas vezes, 
nem chegamos a entender.

Podemos nos sentir mal perto de alguém por razões óbvias, 
que vão desde um conflito de ideias e choque de valores a,
até mesmo, a sensação de estarmos diante de um espelho, 
diante daquilo que nós mesmos somos ou tememos ser.

Uma pessoa que pensa diferente pode agredir
verdades pessoais pré-estabelecidas e, assim,
causar uma ansiedade reativa 
através de comportamentos intolerantes.

Uma pessoa que é diferente da maioria
pode causar em nós, medo pelo desconhecido 
representado por padrões culturais, como cor de pele, 
religião, orientação sexual ou até política. 
A rejeição a alguém costuma ser reflexo 
da inabilidade para lidar com o novo: 
agride-se o desconhecido.

Nos dois casos mencionados acima, 
a pessoa emocionalmente inábil tende a rechaçar, 
descartar e evitar o que teme ou aquilo que agride
seus frágeis conceitos anteriores.

A atenção às suas próprias reações torna-se vital,
pois é ela que permitirá que a consciência detecte
os motivos das reações positivas
(simpatia imediata, por exemplo)
ou, como aborda o título, o mal estar
e o desconforto na presença do outro.

Se conseguirmos identificar
quando a nossa estranheza é legítima
(e não um mero mecanismo de defesa 
para nos proteger de nossas próprias dificuldades), 
teremos a capacidade de agir de maneira sábia e evolutiva,
nos afastando de situações que nos causem real perigo
ou nos aproximando do que pode ser benéfico
(muitos chamariam isso de intuição).

Logo, a intuição nada mais é do que aprender 
a ouvir nossa mente e corpo de maneira limpa 
e filtrando os mecanismos reativos que, 
embora nos protejam de algumas de nossas dificuldades,
nos privam da verdade das relações e situações.

Reflexões pessoais sem juízo moral,
como as que acontecem nos processos psicoterápicos, 
ajudam as pessoas a perceber, aceitar e lidar 
com as diversas esferas de si, 
desde as mais óbvias e evidentes, até as mais sutis.

O autoconhecimento, de maneira geral, 
permite que saibamos escolher cada vez mais
com maior propriedade, 
quando devemos nos afastar de alguém
porque esse alguém realmente nos faz mal
ou quando a a sensação de incômodo deve ser vista
como oportunidade de mudança e reflexão pessoal.

Termino com uma frase que vi em uma tirinha sem autoria:

“Minha mãe sempre disse
que não devo andar com pessoas ruins,
mas, e se a pessoa ruim for eu?” 😉


domingo, 7 de janeiro de 2018

Somos, no fim, o que podemos.


Crianças que se tornaram adultos. 
Adultos que, por vezes, agem como crianças. 
Seres absolutamente imperfeitos em jornada.

Josie Conti