quinta-feira, 23 de abril de 2020

Qualidade de vida.


As pessoas tem estado cansadas demais
para produzir seus próprios sentimentos. 
Assustadas demais para olhar para dentro.
Confusas demais para reconhecer seus medos e desejos. 
Passivas demais 
para transformar tudo o que sentem em ativos. 
Procuram ativos prontos invés de fabricá-los.
Qualidade não vem com facilidade,
não conquistamos com um estralar de dedos. 
Qualidade de vida, essa palavra difícil de conceituar, 
só se consegue fazendo as coisas com amor. 
Eu mesma não me suporto dizendo uma coisa tão piegas,
mas é que a pieguisse tem lá seu cabimento 
e as vezes exige nossa rendição. 
Não há qualidade sem tratamento, 
sem olho atento, sem uma bela intenção.
Qualidade é tudo o que a gente ordena sem precisar gritar,
é a maneira educada com que nós
nos relacionamentos com as pessoas.
É o cumprimento de nossas tarefas com responsabilidade. 
É o compromisso que estabelecemos com a gente mesmo
de fazer as coisas da maneira menos estabanada.
Qualidade é a verdade dos fatos, não é teatralizar a vida. 
É reconhecer-se humilde diante de nossas falhas, 
e tentar errar menos.
Qualidade é viver de acordo com nossas possibilidades,
administrar a vida com a humanidade de que dispomos, 
chorar de ódio sem sermos vulneráveis, 
mas pensar que melhor isso 
do que não termos sensibilidade alguma.
Qualidade é amor que se sustenta, 
é amizade que não é um blefe, 
é confiança que não é traída, 
é demonstrar o que se sente,
apertar a mão com firmeza, 
dizer não e sim com a mesma honestidade,
é inocência de uma fé generalizada
e uma crença na própria natureza.
Parece uma oração, eu sou quase agnóstica. Mas é isso. 
Qualidade é tudo que não se desmancha facilmente.

Martha Medeiros

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