A boa mãe é aquela que vai se tornando
desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase,
e ela sempre me soou estranha.
Até agora.
Até agora.
Agora, quando minha filha
de *18 anos começa a dar vôos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso
natural materno de querer colocar a cria
embaixo da asa, protegida de todos os erros,
tristezas e perigos.
tristezas e perigos.
Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar
a super-mãe que todas temos dentro de nós,
lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito,
tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada
me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar
que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá,
provoque vício e dependência nos filhos,
como uma droga,
a ponto de eles não conseguirem ser autônomos,
a ponto de eles não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes.
Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas,
superar suas frustrações
e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida,
vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.
A cada nova fase,
uma nova perda é um novo ganho,
uma nova perda é um novo ganho,
para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente
e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.
Até o dia em que os filhos se tornam adultos,
constituem a própria família e recomeçam o ciclo.
O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá,
firmes, na concordância ou na divergência,
no sucesso ou no fracasso,
com o peito aberto para o aconchego,
com o peito aberto para o aconchego,
o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres.
Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”,
nos transformamos em porto seguro
para quando eles decidirem atracar.
Márcia Neder