Somos eternas crianças
e ninguém se liberta totalmente da sua candura.
Se o bichinho de pelúcia tornou-se um talismã,
se o casamento monárquico
nos reconduz para os filmes da Cinderela,
não há nada de errado com isso,
desde que não sejamos tão nostálgicos
a ponto de achar que só as crianças
têm direito ao encantamento.
A etapa adulta também é muito lúdica,
com seus personagens de verdade
e diversões fora do castelo.
Sobra muita coisa quando as ilusões infantis se desfazem.
Sobram a nossa coragem, o nosso protagonismo,
o tesouro de uma vida realmente vivida, e não imaginada.
Por que isso seria tão assustador?
Não há mais monstros embaixo da cama,
e a luz está acesa para quem quiser descobrir
que crescer também é mágico.
Martha Medeiros.

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