quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Aquela que fui ontem me ensinou tanto.


 Com ela, eu soube o que é viver o caos,
 o drama, o luto. 
Habitei, por um longo período,
 em cada um deles até amortecerem. 
Só eu sei. Só.

A vida não espera.

Mais do que ninguém eu carecia de um novo fôlego, 
de gentilezas, de abraços apertados,
 de palavras bonitas, de sentires bonitos, 
de verdades e de alguma certeza 
que me fizesse continuar. 
De mim.

Quero aquilo que revela minha sensibilidade,
 que serena minhas inquietudes, 
que consagra a dimensão do instante-já. 
Quero aquilo que existe, que é palpável, 
que me aquece as mãos, os braços e o coração.

Quero lançar meus cinco sentidos para o lado
 que descortina minhas esperanças,
 que sossega os meus medos.
 Quero o compasso que desata os nós, 
quero a calmaria batendo na minha porta de novo.

E por tanto querer e querer e querer,
passei a vestir-me de doçuras.
Consertei-me por dentro.
Refiz minhas forças e me inaugurei.
Amanheci. Outra.

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