Quero ventilação,
não morrer um pouquinho a cada dia
sufocada em obrigações e em exigências
de ser a melhor mãe do mundo,
a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa.
Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas,
arejar minha biografia,
deixar que vazem algumas idéias minhas
que não são muito abençoáveis.
Queria não me sentir tão responsável
sobre o que acontece ao meu redor.
Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum
sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas,
sobre as coisas que dão errado
e também sobre as que dão certo.
Me permitir ser um pouco insignificante.
O que eu quero mais?
Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor,
menos comportadinho,
menos refém de reuniões familiares,
marido, filhos, bolos de aniversário
e despertadores na segunda-feira de manhã.
E também quero mais tempo livre.
E mais abraços.
E receber mais flores.
Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.
Martha Medeiros

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