domingo, 23 de novembro de 2014

Porque já não temos mais idade para...

Dramaticamente, usarmos palavras 
grandiloquentes como "sempre" ou "nunca".


Ninguém sabe como, mas aos poucos
fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, 
das pessoas e das coisas.
 Já não tentamos o suicídio 
nem cometemos gestos tresloucados. 
Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. 
E substituímos expressões fatais como "não resistirei" 
por outras mais mansas, como "sei que vai passar". 
Esse o nosso jeito de continuar, 
o mais eficiente e também o mais cômodo,
porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Caio Fernando Abreu

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