Desde pequena sou assim, quem me conhece sabe.
É claro que murmuro, que canso
e que a esperança arruma as coisas numa mala
e ameaça ir embora.
Mas fiquei fascinada quando li pela primeira vez
a definição de fé segundo Paulo:
'Fé é crer nas coisas que não se vê,
mas que se tem certeza que existem'.
Ali descobri com o coração contente:
eu sempre fui cheia de fé!
Quando falo de agradecer até mesmo
em tempos ruins (principalmente neles),
quando digo que a vida é uma infinidade de dádivas
e que devemos celebrá-la a cada sopro,
não é porque quero que pense que sou espetacular,
é porque quero que você acredite também,
que desfrute do dom maravilhoso de crer.
Falo porque também tantas vezes preciso ouvir,
pra convencer a esperança a não partir,
pra confortar meu coração
quando é esmagado por mãos impiedosas.
Falo porque preciso da fé para viver, para não desabar,
para não abrir a porta para as desistências
quando batem tão insistentemente a me ensurdecer.
Falo porque a fé me salva todos os dias,
e proclamá-la é a forma que encontrei de mantê-la
ou trazê-la de volta, quando falho,
pra juntinho de mim.
Rachel Carvalho

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