quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Tempo é ternura.



O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos.
 Convencionou-se explicar que a paixão é biológica,
dura apenas dois anos
e o resto da convivência é comodismo....
 Não é verdade,
amor não é intensidade que se extravia na duração.
Somente descobriremos a intensidade
se permitirmos durar.
 Se existe disponibilidade para errar e repetir.
 Quem repete o erro logo se apaixonará
pelo defeito mais do que pelo acerto
e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto.
 Pois errar duas vezes é talento,
 acertar uma vez é sorte.
Acima da obsessão de controlar a rotina
 e os próximos passos, improvisar
para permanecer ao lado da esposa.
 Interromper o que precisamos
 para despertar novas necessidades.
Intensidade é paciência, é capricho,
 é não abandonar algo porque não funcionou.
É começar a cuidar justamente porque não funcionou.
Casais há mais de três décadas juntos
perderam tempo.
Criaram mais chances do que os demais.
Superaram preconceitos. Perdoaram medos.
 Dobraram o orgulho ao longo das brigas.
 Dormiram antes de tomar uma decisão.
 Cederam o que tinham de mais precioso:
a chance de outras vidas.
Dar uma vida a alguém será sempre maior
 do que qualquer vida imaginada.

Fabrício Carpinejar

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