A Filarmônica de Berlim
liberou sua plataforma digital
O usuário pode se registrar com o código BERLINPHIL
e ter acesso gratuito a todos os concertos
e documentários por um período de 30 dias
(o test drive normal é de sete dias, foi ampliado para 30).
Em tempos de confinamento, uma gentil oferta da casa.
Muitos jornais liberaram o acesso
de seus conteúdos online a não assinantes,
a fim de que as informações sobre o coronavírus
alcancem o maior número de pessoas.
Em condomínios, há bilhetes de vizinhos
nos espelhos do elevador e nas paredes dos corredores:
eles se oferecem para ir a farmácias e a mercados
para o idoso da porta ao lado.
Além disso, voluntários se predispõem a serem
“anjos da guarda” no whastapp.
Descobrem o contato de alguém com mais de 60 anos
que more sozinho e mandam mensagens diárias,
perguntando se ele está dormindo bem,
se tem algum sintoma, se deseja conversar.
Um antídoto afetivo contra o isolamento.
Italianos cantam nas janelas,
criando um coro improvisado
e garantindo diversão comunitária.
Um tenor profissional fez uma apresentação em sua varanda,
num andar alto: ópera a céu aberto.
Um professor de ginástica foi sozinho
para o playground interno do edifício,
cercado por apartamentos,
e conduziu uma sessão de exercícios
para quem o observava de dentro de suas salas.
Há muitas maneiras de dar a mão
sem precisar tocá-las fisicamente.
Beijos e abraços foram cancelados,
mas a solidariedade emergiu,
e essa é a boa notícia em meio ao espanto
da nova condição mundial.
Solidariedade que precisa ser mantida
quando as contaminações reduzirem
e as sequelas econômicas aparecerem
para nos cumprimentar.
Que oportunidade de ouro para sermos mais coletivos
e menos individualistas.
Até aqui, era cada um por si, era só o lucro que interessava,
era a transferência de responsabilidade
que mandava no jogo: “os políticos que cuidem da nação”,
“os outros que se virem sem mim”.
Não há mais “os outros”, somos um imenso “nós”.
Eu, tu e eles no mesmo barco.
Sem união, a gente vai esticar esse drama
por mais tempo do que o necessário.
O que você pode fazer,
além de lavar bem as mãos e manter-se em casa?
Ler livros. Leitura é hábito privado,
não requer um espaço público.
Conversar mais com os filhos. Ver filmes.
Estudar idiomas. Arrumar os armários.
Fazer mais sexo
(dizem que ajuda na imunização;
se for fake news, não me conte).
Tentar se desapegar das redes sociais para não pirar.
Tirar proveito da sua introspecção.
Vai passar.
E quando passar, que a gente saia dessa
melhor do que entrou
- regra básica para qualquer período de transição.
Martha Medeiros

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