De ansioso passa a ser calmo,
de constante passa a ser inconstante,
de onipotente passa a ser falível.
Nós, por outro lado, também mudamos.
De carentes a auto-suficientes,
de infantis a maduros, de ternos a ríspidos.
Somos igualmente poderosos e igualmente fracos.
E a metamorfose do ser humano,
como a metamorfose do amor, gera pânico:
que amor é esse que um dia me faz explodir de alegria
e que no outro dia me implode?
Que ser é esse que sou,
que um dia aceita as contingências
de um sentimento mutante
e que no outro dia o quer estático, igual como sempre foi?
Martha Medeiros

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