quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O tempo passa e o amor sofre mutações:


 De ansioso passa a ser calmo, 
de constante passa a ser inconstante,
 de onipotente passa a ser falível.
Nós, por outro lado, também mudamos.
 De carentes a auto-suficientes,
 de infantis a maduros, de ternos a ríspidos.
 Somos igualmente poderosos e igualmente fracos.
 E a metamorfose do ser humano,
 como a metamorfose do amor, gera pânico: 
que amor é esse que um dia me faz explodir de alegria 
e que no outro dia me implode? 
Que ser é esse que sou, 
que um dia aceita as contingências 
de um sentimento mutante 
e que no outro dia o quer estático, igual como sempre foi?

Martha Medeiros

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