domingo, 5 de janeiro de 2020

A batalha mais difícil...

É entre o que você sabe na sua mente
e o que você sente no seu coração.



Coragem de olhar para a existência tal qual ela é, 
e lidar com seus vazios, inconformidades, desamparos, 
entendendo que, mais difícil que a escalada 
de uma montanha monumental,
é o enfrentamento de nossos Alascas diários 
– que não têm saídas mágicas, 
nem ônibus mágicos que nos protejam de nós mesmos.

Viver dói. 
Lidar com a ruptura de vínculos
que desejávamos que não se rompessem, dói.
Arcar com a falta de respostas, 
com a incapacidade de controlar tudo, dói. 
Aceitar a imperfeição da vida 
e suas impossibilidades, dói. 
Lidar com a falta de sentido 
e ausência de respostas mágicas, dói. 
Viver desejando esquecimentos instantâneos
que nos permitam seguir em frente, 
calibrando aquilo que decidimos na mente,
mas que ainda não sentimos no coração, 
não existe… e também dói.

Esquecer não funciona. Fugir não funciona. 
O que funciona é tentar alinhar o seu coração
com aquilo que você já sabe na sua mente.

Eu sei que é difícil pra caramba,
que vai doer como nunca, 
que vai lhe custar noites mal dormidas
e travesseiros encharcados,
mas se você já fez uma escolha consciente,
e sabe que tem que desistir daquilo que tanto queria,
você não vai mais exigir de si mesmo uma saída mágica.

O que você pode fazer é pegar a si mesmo pela mão
e contar-se uma história, quantas vezes for necessário.
Uma história cheia de detalhes 
que só você conhece e sente, e que, pouco a pouco,
pode convencer seu coração de que ali não é o lugar dele.
Conte-se essa história.
Não tenha preguiça de repetir a si mesmo os motivos 
– que você já assimilou na sua mente –
que tornam aquela escolha impossível 
ou fadada ao sofrimento.

A gente gosta de se torturar demais. 
E o pior é que nem se dá conta disso, 
acostumados que estamos em resultados rápidos,
curas instantâneas e remédios milagrosos que aliviem a dor.
Esquecemos que a mente
tem um tempo de recuperação diferente do coração;
que o aprendizado e a evolução às vezes 
necessitam de longos invernos da alma; 
e que alguns ciclos custam mais 
para serem encerrados do que outros. 
Então não se cobre tanto, 
e respeite sua necessidade
de tentar mais um pouco se isso te trouxer paz.

Em vez de fugir, mergulhe. 
Em vez de esquecer, conte para si mesmo,
quantas vezes for necessário,
a história que você já entendeu na sua mente.
Em vez de esperar saídas mágicas, se permita chorar. 
Em vez de se cobrar uma recuperação imediata,
se permita sentir dor e desamparo, 
respeitando seu próprio tempo. 
Em vez de lamentar aquilo que não pode mudar, 
entenda que essa foi a possibilidade de você se transformar.
Em vez de acreditar que perdeu, 
seja grato por aquilo que aprendeu…

Nenhum comentário: