É entre o que você sabe na sua mente
e o que você sente no seu coração.
Coragem de olhar para a existência tal qual ela é,
e lidar com seus vazios, inconformidades, desamparos,
entendendo que, mais difícil que a escalada
de uma montanha monumental,
é o enfrentamento de nossos Alascas diários
– que não têm saídas mágicas,
nem ônibus mágicos que nos protejam de nós mesmos.
Viver dói.
Lidar com a ruptura de vínculos
que desejávamos que não se rompessem, dói.
Arcar com a falta de respostas,
com a incapacidade de controlar tudo, dói.
Aceitar a imperfeição da vida
e suas impossibilidades, dói.
Lidar com a falta de sentido
e ausência de respostas mágicas, dói.
Viver desejando esquecimentos instantâneos
que nos permitam seguir em frente,
calibrando aquilo que decidimos na mente,
mas que ainda não sentimos no coração,
não existe… e também dói.
Esquecer não funciona. Fugir não funciona.
O que funciona é tentar alinhar o seu coração
com aquilo que você já sabe na sua mente.
Eu sei que é difícil pra caramba,
que vai doer como nunca,
que vai lhe custar noites mal dormidas
e travesseiros encharcados,
mas se você já fez uma escolha consciente,
e sabe que tem que desistir daquilo que tanto queria,
você não vai mais exigir de si mesmo uma saída mágica.
O que você pode fazer é pegar a si mesmo pela mão
e contar-se uma história, quantas vezes for necessário.
Uma história cheia de detalhes
que só você conhece e sente, e que, pouco a pouco,
pode convencer seu coração de que ali não é o lugar dele.
Conte-se essa história.
Não tenha preguiça de repetir a si mesmo os motivos
– que você já assimilou na sua mente –
que tornam aquela escolha impossível
ou fadada ao sofrimento.
A gente gosta de se torturar demais.
E o pior é que nem se dá conta disso,
acostumados que estamos em resultados rápidos,
curas instantâneas e remédios milagrosos que aliviem a dor.
Esquecemos que a mente
tem um tempo de recuperação diferente do coração;
que o aprendizado e a evolução às vezes
necessitam de longos invernos da alma;
e que alguns ciclos custam mais
para serem encerrados do que outros.
Então não se cobre tanto,
e respeite sua necessidade
de tentar mais um pouco se isso te trouxer paz.
Em vez de fugir, mergulhe.
Em vez de esquecer, conte para si mesmo,
quantas vezes for necessário,
a história que você já entendeu na sua mente.
Em vez de esperar saídas mágicas, se permita chorar.
Em vez de se cobrar uma recuperação imediata,
se permita sentir dor e desamparo,
respeitando seu próprio tempo.
Em vez de lamentar aquilo que não pode mudar,
entenda que essa foi a possibilidade de você se transformar.
Em vez de acreditar que perdeu,
seja grato por aquilo que aprendeu…

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