Pode o céu estar fechado neste instante,
mas uma hora abre, não falha.
Pouco importa sua idade: você está vivo.
Então ainda dá tempo para você reatar,
dá tempo para você terminar
uma relação ruim e começar outra,
dá tempo de pedir perdão
ou de colocar uma pedra sobre o assunto que incomoda,
dá tempo de ter um relacionamento mais leve e prazeroso,
e indo além das questões amorosas:
dá tempo de conhecer a Ásia, de escrever suas memórias,
de mergulhar no mar à noite, de aprender a cozinhar,
de falar italiano, de fazer diferença,
de começar uma coleção.
Se me permite uma sugestão:
colecione inúmeras ”primeiras vezes”.
Todas as primeiras vezes que você tem evitado
porque não simpatiza com mudanças.
Aqui entra a segunda parte da frase: basta a gente querer.
É a parte mais difícil: querer.
Porque querer dá trabalho.
Querer convoca à ação.
Te arranca debaixo das cobertas.
Querer pressupõe suor, planejamento, esforço, risco.
O querer te cobra, te aponta o dedo, e aí, criatura?
Quis tanto e não batalhou?
Querer te chama para o combate. E lá vai você. Queira.
Não se contente com o que já tem.
Ou com o que nunca teve.
Queira mais, queira melhor, queira o impossível,
queira sem garantia de ser bem sucedido,
simplesmente queira tanto, mas tanto,
a ponto de emitir sinais – alguém há de captá-los.
Recado para os cansados: ainda dá tempo.
Para os desiludidos: ainda dá tempo.
Para os frustrados: ainda dá tempo.
Para os desistentes: tente um pouco mais.
Você respira? Então ainda dá.
Martha Medeiros

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