terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A outra eu.


Podemos ser "outra" em qualquer fase da vida, 
e a ordem dos fatores pode alterar o produto, sim.
A maioria de nós desfruta de forma inconsequente
os seus primeiros 30 anos e depois se acomoda
e fica vivendo de recordação 
- e sofrendo com a proximidade da morte. 
Fiz diferente: fui acomodada na adolescência
e quando a maturidade chegou
é que comecei a me divertir pra valer.
A outra que sou agora é bem mais disposta
do que a outra que já fui. 
E mal posso esperar pelas outras que ainda serei.

Martha Medeiros

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