segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala!


Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis
pois, você sabe,
o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. 
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
 esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo, 
nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, 
expõem suas queixas, jogam limpo. 
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. 
Quando nada é dito, nada fica combinado. 
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar: 
"Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"
É o silêncio de um mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo. 
Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo. 
Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. 
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba é aquele que fala.
E fala alto. 
É quando ninguém bate à nossa porta, 
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim você entende a mensagem.

Martha Medeiros

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