É no amor que a mulher recupera sua feminilidade.
É na relação a dois.
É na autorização que dá a si mesma de se sentir cansada
e de permitir que o outro tome decisões e a surpreenda.
É no amor que voltamos a confiar cegamente,
a baixar a guarda e a deixar que nos seduzam
– sem sentirmo-nos ofendidas.
Muitas mulheres estão desistindo
de investir num relacionamento
por se julgarem incapazes de jogar o jogo ancestral:
eu, provedor; você, minha fêmea.
Os homens sabem que não iremos mais
nos contentar em receber mesada
e ficar em casa guardando a ninhada, mas, na intimidade,
que tal deixarmos a testosterona e o estrogênio
interpretarem seus papeis convencionais?
Um amor sem tanta racionalidade,
sem demarcação de território, sem guerra pelo poder.
Amolecer de vez em quando, e com gosto.
É onde ainda podemos ressuscitar a mulher que fomos,
sem prejuízo a mulher que somos.
Martha Medeiros

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