De uma hora pra outra, fiquei assim,
lúcida e diabolicamente tranquila.
Não que os problemas tenham sumido,
mas deixaram de ser coisa de outro mundo.
Se antes eu perdia o sono quando a grana encurtava,
agora é o seguinte: vai dar. Dá-se um jeito.
E à noite, durmo.
Durmo como se estivesse num sarcófago,
durmo feito a múmia de Tutankamon.
Quando eu pisava na bola com alguém
- amiga, marido, mãe, empregada -,
mergulhava em culpa, considerava a relação perdida,
até que me ocorreu uma frase milagrosa
para solucionar impasses: " Me desculpe".
Funciona que é uma maravilha...
Martha Medeiros

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