sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Algumas pessoas viverão pra sempre, dentro da gente.


E a gente precisa dar um jeito 
de acomodar essa presença, 
que agora é feita de lembranças, 
porque algumas pessoas se apressaram 
e foram embora antes de nós.

As memórias dos afagos, dos sorrisos, 
dos abraços apertados…
de vez em quando nos assaltam, 
roubam nosso sorriso
e deixam lágrimas no lugar.
É doloroso sim, quem poderá negar?

Em alguns dias a gente pensa em quem partiu,
 revira nosso baú de histórias e
agradece aos céus por ter tido o direito de vivê-las.
Em outros, mais cinzas, o remendo se solta
e o coração da gente se despedaça de novo. 
A dor é intrusa e teimosa. 
É difícil conseguir conviver com ela.

Mas depois de um tempo, 
refazemos o curativo e seguimos com nossa vida,
achando estranho o fato 
de ter que carregar esse fardo tão dolorido.
E a gente se percebe pensando na ilusória possibilidade
 de ter a chance de escutar
uma última risada, uma última vez. Nada. 
E de nada em nada, vamos entendendo
que algumas pessoas se tornaram brisa,
e agora vivem no fundo de nossas memórias.

E apesar do silêncio e do vazio assombroso,
o amor vai fazer com que elas 
não se despeçam totalmente.
Uma parte delas, a melhor parte,
 permanecerá para sempre, dentro da gente.
(Ainda bem, porque 
não poderíamos sobreviver se não fosse assim).
E conforme o tempo passa, a gente vai percebendo
que a saudade é uma forma diferente
 de se amar quem partiu.

Por isso mesmo é que se deve saber sentir saudade. 
Conhecer bem o lugar que ela deve ocupar dentro de nós
e por limites nesse lugar. 
Saudade não é pra ser criada solta, 
fazendo de nós o que bem quer. 
Ela precisa saber que não pode
sapatear sobre nossas outras emoções.

Embora a ausência de quem nos deixou 
pareça nos comprimir,
nem tudo é feito de dor. 
Tem beleza, sorrisos e prazer, que ficaram no ar, 
suspensos de alguma forma,
e nunca irão nos deixar.
Tem memória boa, gosto bom de foi bom enquanto durou.
E isso não passa, não se substitui nem fica para trás. 
O som da voz que nos chamava, 
o abraço que nos aconchegava,
apenas mudou de consistência. 
Agora é nuvem. 
Uma bruma leve que vez ou outra nos envolverá 
para dizer que houve mudança,
mas que de alguma forma vai ficar. Para sempre!

Contudo, é preciso obrigar a ir o que nos faz escravos:
a dor que nos submete e nos tira do chão. 
Disto, despeçamo-nos! 
E assumamos que se foi de nós um pedaço, 
mas que uma lembrança boa ficou no lugar.
Algumas pessoas viverão para sempre, dentro da gente, 
e não precisamos esquecer que as amamos.
 Precisamos apenas assumir que elas não estão mais
no mesmo lugar que estavam antes.


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