Os felizes ainda estão associados ao padrão
"comercial de margarina", portanto,
costumam ser idealizados - e desacreditados.
É como se fossem marcianos, só que não são verdes.
Por isso, damos mais crédito aos angustiados,
aos irônicos, aos pessimistas.
Por não aparentarem possuir vínculo com essa tal felicidade,
dão a entender que têm uma vida muito mais profunda.
Você é feliz?
Não espalhe,
já que tanta gente se sente agredida com isso.
Mas também não se culpe,
porque felicidade é coisa bem diferente do que ser linda,
rica, simpática e aquela coisa toda.
Felicidade, se eu não estiver muito enganada,
é ter noção da precariedade da vida,
é estar consciente de que nada é fácil,
é tirar algum proveito do sofrimento,
é não se exigir de forma desumana e,
apesar (ou por causa) disso tudo,
conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
Martha Medeiros

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