Mas na realidade os que me notam
para além de olhares vagos são tão poucos...
não sou de fácil conversa, preciso reconhecer profundidade
e se é naquele contexto que me encaixo;
muitas vezes eu me desdobro para estar em paz comigo,
passo por cima das minhas imperfeições e medos;
desisto para não me machucar mais do que penso suportar;
insisto quando acho que vale a pena
- mesmo que seja para sentir na pele e na alma
todas as dores do mundo;
tento me socializar; para não fazer o antiquado o anti-social,
mas a verdade é que eu não sou desse tipo
que é aceito em todos os lugares,
que é visto com bons olhos,
que é do tipo que todos idealizam;
eu me sinto invadido com tão pouco
e desapareço em questão de segundos se necessário;
sou altamente intuitivo e se o clima estiver pesado,
sinto tudo bem antes,
através de avisos que considero Divinais;
eu sou tão pequeno tem horas,
mas consigo ser tão grande em alguns segundos...
não sou mais um dos que vivem
na gaiola dos pensamentos arcaicos,
vivo e transmuto entre a realidade
e o que chamam de universo paralelo,
para mim amor nunca acaba, o que acaba é a compatibilidade;
mas o sentimento fica e não me importo com as aparências,
me importo com alma,
com quem sabe reconhecer preciosidade
dentro da fragilidade alheia,
quem consegue ser sagrado sem atuar,
quem na verdade é e só é porque nunca deixou de ser
(aquele que o coração disse que deveria ser).
E talvez seja por isso que além de exclamações e achismos,
também sou feito de reticências... continuações....
Vitor Ávila

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