quinta-feira, 4 de julho de 2019

Nós sobrevivemos a filmes ruins e dias nublados.


Fizemos da rotina conveniência 
para colocarmos nossos desejos em prática.
 Transformamos nossos domingos
 em paraísos particulares, regados a especiarias. 
Reescrevemos nossos planos 
e reforçamos as juras de amor. 
Prometemos a nós mesmos não causar saudades, 
não construir abismos, e amar sempre mais.
 Abandonamos a individualidade
 para que pudéssemos sonhar juntos, 
e assim voamos longe.
 Consideramos cada momento de paz, 
cada sorriso solto, um sinônimo de felicidade.
 A calmaria daqueles olhos 
me roubavam do caos sem que eu pudesse perceber. 
Ela já havia perturbado meu sono,
 me hipnotizado com sorrisos tão sinceros
 quanto as canções que falam de amor
 logo na primeira frase. 
Já era tarde quando percebemos
 que falávamos de amor desde o primeiro encontro, 
mesmo que indiretamente. 
E aceitamos que nossos destinos estavam traçados, 
que nossas particularidades coincidiam,
 que nossas almas eram velhas conhecidas. 
Éramos como romances de gaveta, 
prestes a fazer história, distantes de ter um fim.

Affonso

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