domingo, 2 de junho de 2019

Ficamos quites, o tempo e eu.


Eu frente a frente com seu estranho espelho, 
com que me reflete e transforma. 
O tempo, às vezes, também me sorri. 
Galante, sussurra-me que eu confie. 
Faz juras de sempre e nunca, 
pactos de agora em diante, medidas de não passar. 
Diz que quer envelhecer comigo. 
Diz mais bonito: que quer envelhecer em mim.
 Caio de novo na sua lábia. Aceito o tempo. 
Pede, masculino, que eu cuide bem do que faço dele. 
E promete, provedor, 
que se encarregará de tudo quanto fará de mim. 

Roberta Mendes

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