Não é patrimônio de ninguém, nem mesmo dos que vivem.
Nem tão-pouco dos que já partiram.
Na verdade, o tempo é a mistura
dos pedaços de pele que me arrancaram
e dos que fui perdendo pelo caminho.
Tenho com ele uma relação de dualidade.
Aceito a forma como me dá
e ao mesmo tempo me tira
algumas coisas que julgava perdidas
e outras que não pensava mais perder.
Permito que me faça pensar,
mas não lhe dou autorização para me impedir de sentir.
Quando sinto, fico no meu momento
e o tempo desaparece de todas as minhas equações.
Não tem como não ser assim.
Apenas quando penso sinto o seu correr
por entre os meus segundos,
não como o ponteiro de um relógio,
mas como uma vida que teima em andar mais depressa
do que me permito aceitar.
José Micard Teixeira

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