quarta-feira, 15 de maio de 2019

O tempo vai e não volta.


Não é patrimônio de ninguém, nem mesmo dos que vivem. 
Nem tão-pouco dos que já partiram. 
Na verdade, o tempo é a mistura 
dos pedaços de pele que me arrancaram 
e dos que fui perdendo pelo caminho. 
Tenho com ele uma relação de dualidade.
 Aceito a forma como me dá 
e ao mesmo tempo me tira 
algumas coisas que julgava perdidas
 e outras que não pensava mais perder. 
Permito que me faça pensar, 
mas não lhe dou autorização para me impedir de sentir. 
Quando sinto, fico no meu momento 
e o tempo desaparece de todas as minhas equações. 
Não tem como não ser assim. 
Apenas quando penso sinto o seu correr
 por entre os meus segundos,
 não como o ponteiro de um relógio, 
mas como uma vida que teima em andar mais depressa 
do que me permito aceitar.

José Micard Teixeira 

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