segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Já fui julgada até crucificada.


Já fui enaltecida e muito amada. 
Já fui certa e errada.
Já julguei e condenei.
Me arrependi e me desculpei. 
Já fiz de tudo um pouco porque meu verbo é solto.
Se sinto, preciso falar, se me incomoda tenho que questionar.
Mal interpretada costumo ser, mas o que posso fazer 
quando preciso dizer o que vai dentro do meu coração
e mexe com a minha emoção.
Já fui injusta com quem não deveria ser 
e cruel com quem fez por merecer. 
Já fui bondosa e companheira. 
Já fui até a enfermeira de vidas que desabavam. 
Já fui bombas que estouravam 
em meio a guerras devastadoras.
Já fui a doutora que curou um coração 
que se feriu por amor.
Já fui a personagem esquecida e a atriz principal. 
Já fui recatada e imoral. 
Já fui alguém que o vento levou 
e que trouxe, de volta, por um favor.
Já acertei e errei adoeci e me curei. 
Já pedi e implorei. 
Já cedi, vendi e dei. 
Já me culpei e me torturei por tantas coisas que nem sei. 
Já corri muito atrás,
mas era longe demais e não consegui chegar. 
Já rasguei lembranças que não prestavam mais.
Já remexi o lixo para achá-las
e de volta na gaveta colocá-las. 
Já fiz de tudo um pouco afinal sou normal.

Martha Medeiros 

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