quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Invejo as pessoas que amaram na época das cartas.


Esperando durante dias pela chegada do carteiro, 
que se compensava pela prova de amor selada:
 eram correspondidas. 
Sabiam que o outro mandava muito mais
que papel escrito à tinta. 
Havia toque, troca de olhar, 
tempo entregue em cada letra despendida pelas linhas. 
Hoje tudo são frases feitas, 
copiadas e coladas em segundos
 que não demonstram a energia envolvida.
 Não tem afago nos contornos do que é dito.
Estou carente de um amor com CEP, 
endereço certo, com sorrisos de visita retribuída. 
O amor se tornava maior quando era envelopado. 
Porque era dedicado. E exclusivo.


Na verdade eu NÃO invejo...
 fizemos isso MUITAS vezes... e foi TÃO BOM... 
a expectativa em receber suas cartas... 
conferir se cada uma das perguntas havia sido 
devidamente respondida... 
(e éramos cuidadosas quanto a isso... 
respondíamos uma a uma) 
era sempre uma alegria recebe-las... 
sempre recheadas de poesias e humor.... 


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