Só se recorda do que sangra.
E navega na amargura de uma mágoa que imobiliza.
Vai tomando suntuosos coquetéis de veneno.
Muitas pessoas feridas esquecem que também feriram.
Não conseguem entender que, muitas vezes,
pisaram sobre o outro despedaçado pelo chão.
O sofrimento cria memórias inexistentes.
Faz a boca, bêbada,
arrastar a alma para o abismo das fantasias.
Não há diálogo onde as feridas estão engatilhadas,
prestes a atirar.
Vai com calma,
deixe o tempo suturar a fissura
que angustia quem dói.
Só então o perdão poderá brotar,
e a vida fugirá da correnteza do suicídio...
Andrade Moraes

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