Afinal, somos todos flexíveis.
Deveríamos ser. Mas eu fui além.
Aos poucos, eu me moldei até o ponto
onde já não me reconhecia mais.
Onde já não me identificava.
Cortei liberdades pequenas por vontades alheias.
Pequenos cortes, mas quando somados,
tornaram-se as grades do meu dia a dia.
Por sorte, eu me (re)encontrei.
Como se por acaso ou destino
eu me reconhecesse no espelho e pudesse dizer
“Há quanto tempo e não te via. Fica.”
Desde então, eu não precisei mais ser
o que um outro alguém procura.
Eu não precisei mais me moldar lenta ou rapidamente
para encaixar em moldes alheios.
Moldes que eu nunca escolhi.
Desde então, sou apenas eu.
Posso até ser a felicidade de um outro alguém.
Mas simplesmente pelo que sou.
E não por tudo aquilo que inutilmente
procuram em mim.
Matheus Jacob

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