terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Já fui julgada até crucificada.


Já fui enaltecida e muito amada.
Já fui certa e errada. 
Já julguei e condenei.
Me arrependi e me desculpei. 
Já fiz de tudo um pouco porque meu verbo é solto. 
Se sinto, preciso falar, se me incomoda tenho que questionar. 
Mal interpretada costumo ser mas o que posso fazer 
quando preciso dizer o que vai dentro do meu coração
e bole com a minha emoção.
Já fui injusta com quem não deveria ser
e cruel com quem fez por merecer. 
Já fui bondosa e companheira.
Já fui até a enfermeira de vidas que desabavam. 
Já fui bombas que estouravam 
em meio a guerras devastadoras. 
Já fui a doutora que curou um coração 
que se feriu por amor.
Já fui a personagem esquecida e a atriz principal. 
Já fui recatada e imoral.
Já fui alguém que o vento levou e que trouxe, de volta, 
por um favor já acertei e errei adoeci e me curei.
Já pedi e implorei. 
Já cedi, vendi e dei.
Já me culpei e me torturei por tantas coisas que nem sei.
Já corri muito atrás mas era longe demais
e não consegui chegar. 
Já rasguei lembranças que não prestavam mais.
Já remexi o lixo para achá-las e de volta, 
na gaveta, colocá-las.
Já fiz de tudo um pouco afinal sou normal,
só não posso revelar o etc. e tal.

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