Aliás, nossas escolhas moldam nosso caráter.
E tem dia que me envergonho das minhas.
Ora, quem não se envergonha?
Quem já não disse uma palavra torta,
já não se fez de morta naquela conversa chata
apesar de ser com alguém que a gente gosta?
Quem já não construiu muros ao invés de pontes,
quem já não destruiu imagens aos montes,
e porque nossas escolhas não vem com aviso prévio do tipo:
"toma cuidado comigo, porque você pode se arrepender!".
E lógico, a gente se arrepende.
A gente sente que pisou na bola,
que aquela não era a hora
de um comentário insignificante qualquer.
Mas acredito que tudo passa, que a mágoa fica amena,
que há sempre uma maneira de concertar.
De revirar. De pedir perdão. De perdoar.
De se perdoar. E seguir em frente.
Michelle Trevisani

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