sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nessas fases doídas da caminhada...

A gente esquece, sim, de que tudo passa.


Esquece, sobretudo, que precisamos permitir que passe.
E que não há muito o que fazer nesses momentos,
senão entregar e confiar, eta tarefa difícil. 
Deixar que as coisas morram 
e abram espaço para o novo.
Aceitar o intervalo da travessia,
em que as coisas não têm mais a forma antiga
nem ainda a forma nova. 
O tempo da crisálida: nem mais lagarta nem vôo ainda. 
Respeitar a cadência natural das gestações.
Lembrar que precisamos ser delicados
e generosos com nós mesmos
para atravessar a frente fria até o sol surgir de novo. 
Lembrar que tudo é impermanente. 

Ana Jácomo

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