domingo, 17 de agosto de 2014

Gosto de tatuagens discretas.


Um desenho pequeno na nuca,
 um grafismo sutil no tornozelo, 
algo charmoso na altura do ombro.
 Nunca fiz, mas acho que realmente
 dá um toque de personalidade ao portador.

Quanto a cobrir o corpo inteiro 
ou parte dele com dragões, caveiras
e aparentados de Freddy Kruger, 
acho meio decadente. 
E feio.
Mas não é da minha conta.

Também não é da minha conta as tatuagens feitas
 com o nome do amado em locais simbólicos, 
como no lado esquerdo do peito, pertinho do coração, 
ou nas áreas mais recreativas do corpo. 
É uma prova irrefutável de romantismo. 
Eu diria até de inocência, 
já que a criatura está tão apaixonada
 que esqueceu que existe o dia de amanhã.


Winona Forever foi o que o ator Jhonny Depp
 tatuou anos atrás, creio que no braço, 
para deixar bem claro o que sentia
 pela namorada Winona Ryder. 
O forever durou uns poucos anos e puf: adeus, amor. 
Hoje Winona não tem tido tempo pra namorar,
 de tão enrolada que anda com a justiça americana, 
e Jhonny Depp tem frequentado outros corações. 
Não há notícia de que tenham se tornado 
nem mesmo bons amigos.

Angelina Jolie também tatuou o nome do marido 
em algum lugar daquele corpaço. 
O marido, que era para ser tão duradouro
 quanto a tatuagem, acaba de dançar. 
Angelina está solteira de novo, 
disponível para mais um amor eterno enquanto dure.

Tatuagens definitivas costumas ser 
mais definitivas do que uma grande paixão. 
Quando a gente está apaixonado, 
não tolera ouvir isso, mas a vida é cruel, jovens:
 o amor acaba e a tatuagem não acaba. 
As pessoas se divorciam entre si,
 mas ninguém se divorcia do próprio corpo.

Portanto, é mil vezes preferível tatuar o nome da mãe.
 Ou do nosso time. 
Ou do nosso cão. 
De qualquer coisa em que ainda se possa
 apostar na fidelidade vitalícia.
 Já é duro tirar alguém do pensamento,
 imagine tirar da própria pele.
 Pra minimizar os riscos,
 eu tatuaria Forever Myself. 
E torceria para que esse amor, sim, não acabasse nunca.

Martha Medeiros

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