Em que eu jurava que havia ocorrido
uma falha do cenógrafo na montagem do ambiente:
tudo o mais poderia estar no lugar correto,
mas não era para eu estar ali.
Aí era um tal de listar os supostos culpados,
lamentar a má sorte, um blablablá triste toda vida,
sob o fundo musical de “Ó, Deus, como sou infeliz”.
Muitas cenas depois, porque só o tempo é capaz
de nos dar olhos que veem
um pouco além das aparências,
comecei a encaixar as peças
daquelas tais circunstâncias
e a perceber que estive
exatamente onde eu me coloquei.
Nem um centímetro a mais nem a menos.
Eram os meus sentimentos,
minhas dores pendentes de cura,
minha resistência à mudança,
minhas crenças equivocadas sobre mim,
que me atraíam para aqueles cenários.
Peças encaixadas, descobri que, no fim das contas,
a roteirista o tempo todo era eu.
Se a história não me agrada,
preciso aprender a reescrevê-la
até que se torne parecida
com a ideia que passa pelo meu coração.
O roteiro só muda quando eu assumo
a minha responsabilidade por ele
e me trabalho para ser capaz de modificá-lo.
Não adianta culpar o cenógrafo.
Ana Jácomo

Nenhum comentário:
Postar um comentário